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O papel da tecnologia na aula de matemática

Tabela de conteúdo

Uma combinação de circunstâncias colocou recentemente o foco no debate sobre os benefícios ou prejuízos do uso da tecnologia na sala de aula. Mas, o que a pesquisa educacional diz sobre o assunto? Devemos continuar usando a tecnologia? Para que e em que circunstâncias?

O debate continua aberto. No entanto, as pesquisas já realizadas sugerem que o fator mais determinante não é a incorporação da tecnologia em si, mas a forma como a usamos. “A revolução digital tem um potencial imensurável, mas a forma como ela é usada na educação deve ser analisada com a mesma atenção dada à sua regulamentação para toda a sociedade”, acredita a diretora da UNESCO, Audrey Azoulay. “O uso deve destinar-se a aprimorar as experiências de aprendizado e o bem-estar de estudantes e professores, não para prejudicá-los”, diz Azoulay.

A equipe Innovamat refletiu muito sobre o papel da tecnologia na sala de aula, ponderando cuidadosamente seus benefícios e riscos. Em nossa proposta educacional, os professores usam a tecnologia na preparação das sessões e como suporte, durante a sua realização. Quanto aos estudantes, decidimos que o uso ocorreria uma vez por semana, durante a prática sistemática. Essa prática consiste na realização de uma série de exercícios para consolidar o conhecimento construído na sala de aula, buscando um equilíbrio que permita aproveitar as vantagens da tecnologia sem comprometer a integridade de uma experiência educacional completa e significativa.

Benefícios da tecnologia na sala de aula

A questão principal, portanto, é se as ferramentas tecnológicas são realmente valiosas para o aprendizado. Aqui podem ser vistos alguns dos seus principais benefícios:

  • Uma ferramenta a serviço do professor: a tecnologia pode aprimorar a experiência de aprendizado, desde que seja usada adequadamente e sob a orientação de educadores. O papel do professor é fundamental, não apenas para facilitar a construção do conhecimento matemático por meio de conversas, manipulação e experimentação, como também para promover a prática sistemática na aula de matemática, promovendo uma atitude proativa entre os alunos diante das atividades apresentadas, ou seja, convidando-os a pensar, raciocinar e aplicar o que estão aprendendo na sala de aula.
  • Explorar as possibilidades do ambiente digital: a tecnologia nos oferece a possibilidade de praticar conteúdos difíceis de apresentar em papel, como visualizações em 3D, estimativa de ângulos ou localização de números racionais na reta numérica. Ela também simplifica a regulação do tempo, o que é importante para trabalhar habilidades como a fluência nos cálculos.
  • Individualização da sequência didática: A tecnologia permite adaptar a apresentação do conteúdo a cada estudante, levando em conta as suas necessidades e o seu ritmo de aprendizado. Nem sempre é possível administrar um grupo de 25 ou 30 estudantes, oferecendo atividades individualizadas, observando e oferecendo a ajuda de que precisam., tudo ao mesmo tempo.
  • Resposta imediata e de qualidade: o uso de ferramentas tecnológicas possibilita dar uma resposta assim que o estudante conclui o exercício, fornecendo um feedback imediato. Assim, ele não precisa concluir todas as atividades para conhecer o seu progresso. Se, por exemplo, o estudante dá uma resposta errada no App Innovamat, não apenas o corrigimos, como também o orientamos para que descubra o motivo do erro. Graças ao design de nossas atividades digitais, não apenas encontramos esse tipo de feedback, como também dicas ou sugestões às quais os estudantes podem recorrer quando não souberem resolver a situação.
  • Tomar decisões com base no progresso da turma: a tecnologia nos permite conhecer o nível de consolidação dos objetivos de aprendizado de cada estudante por meio das atividades que ele realizou. Isso possibilita que os professores realizem uma avaliação contínua da turma e possam oferecer os recursos de que cada estudante precisa, seja para reforçar alguns aspectos ou para aprofundar o que já foi consolidado.

Os riscos de um novo ambiente

O uso da tecnologia de forma passiva, sem uma visão pedagógica ou didática, ou sem acompanhamento, acarreta certos riscos que devem ser levados em conta:

  • O impacto na concentração: a tecnologia geralmente é acompanhada de várias distrações. As notificações constantes nos dispositivos pessoais e o acesso a redes sociais interferem diretamente nos níveis de concentração. Por isso, projetamos nossa prática digital para que possa ser realizada sem interrupções no ambiente escolar, com a supervisão de professores. Caso essa prática seja realizada em casa, recomendamos o uso de um tablet ou computador, a desativação das notificações ao usar o aplicativo e a supervisão de um adulto.
  • Tempo de exposição: às vezes, o problema não é o que fazemos com a tela, mas a quantidade de tempo que passamos diante dela e o que deixamos de fazer ao usá-la. Muitos produtos digitais são projetados com a intenção de tornar o usuário dependente. Nosso aplicativo foi projetado com uma abordagem didática, evitando elementos que possam levar à dependência. Além disso, considerando os riscos da superexposição a dispositivos digitais, nosso aplicativo foi projetado para ser usado em sala de aula apenas uma hora por semana, no caso do ensino fundamental, e 15 minutos por semana, no caso da educação infantil.
  • Replicar sem agregar valor: repetir o que já foi feito em sala de aula, só que no formato digital, não melhora o processo de aprendizado. Não se trata de transferir o conteúdo dos livros didáticos para um PDF, pois essa substituição não traz nada de novo. Além disso, há a necessidade de resolver incidentes técnicos, lidar com dispositivos que ficam sem bateria e fornecer suporte e treinamento para adaptação a novossoftwares e suas atualizações.
  • Virtualização excessiva da educação: o aprendizado que ocorre por meio do diálogo, da manipulação, da colaboração e da descoberta é alcançado mais naturalmente no ambiente físico de uma sala de aula. Por isso, a prática digital de nossa proposta representa apenas uma pequena parte de todo o processo de aprendizado. Na Innovamat, acreditamos que a interação direta entre estudantes e professores, a possibilidade de participar de atividades práticas, o trabalho em equipe e o desenvolvimento de habilidades sociais são componentes fundamentais do ensino presencial, especialmente nas etapas do ensino obrigatório. Obviamente, pode haver circunstâncias excepcionais em que o ensino a distância seja a única opção viável, como quando passamos pela pandemia. Mas, mesmo nessas circunstâncias, nosso objetivo é promover o aprendizado de competências por meio de atividades ricas.

Tecnologia a serviço do aprendizado de matemática

O debate sobre o uso da tecnologia na educação ainda não terminou. O principal desafio é encontrar a melhor maneira de integrá-la à sala de aula. Como já discutimos, no caso do aprendizado da matemática, ela pode nos ajudar a individualizar o aprendizado, proporcionando uma experiência mais personalizada, explorando as possibilidades do ambiente digital para darfeedbacks adaptados às necessidades de cada estudante e oferecer aos professores mais informações sobre a evolução do grupo. No entanto, não devemos esquecer os riscos do uso inadequado. A Innovamat aceita esse desafio, propondo um uso responsável da tecnologia, aprimorando suas virtudes e acompanhando os professores em sua aplicação na aula de matemática.

Diferentes actividades de Innovamat

Referências

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Desmurget, M. (2020). La Fabrique du crétin digital. POINTS.

GEM Report UNESCO. (2023). Global Education Monitoring Report 2023: Technology in education: A tool on whose terms? (1a ed.). GEM Report UNESCO. https://doi.org/10.54676/UZQV8501

Hassinger-Das, B., Zosh, J. M., Hansen, N., Talarowski, M., Zmich, K., Golinkoff, R. M., & Hirsh-Pasek, K. (2020). Play-and-learn spaces: Leveraging library spaces to promote caregiver and child interaction. Library & Information Science Research, 42(1), 101002. https://doi.org/10.1016/j.lisr.2020.101002

Higgins, S., Xiao, Z., & Katsipataki, M. (2012). The Impact of Digital Technology on Learning: A Summary for the Education Endowment Foundation. Full Report. En Education Endowment Foundation. Education Endowment Foundation. https://eric.ed.gov/?id=ED612174

Kirkwood, A., & Price, L. (2013). Examining some assumptions and limitations of research on the effects of emerging technologies for teaching and learning in higher education. British Journal of Educational Technology, 44(4), 536-543. https://doi.org/10.1111/bjet.12049

Lei, J., & Zhao, Y. (2007). Technology uses and student achievement: A longitudinal study. Computers & Education, 49(2), 284-296. https://doi.org/10.1016/j.compedu.2005.06.013

  • Frank Sabaté

    Quando os computadores ainda não eram como os conhecemos, já tinha a ideia de dedicar a vida a relacionar a tecnologia com a educação. Combino a função de professor de ensino fundamental com a especialização em robótica e programação de computadores na sala de aula. Ministrei várias formações para professores sobre pensamento computacional, STEM, trabalho globalizado, etc. Atualmente, faço parte da equipe didática depois de trazer a proposta da Innovamat para a sala de aula durante muitos anos.

  • Julio García

    Graduado em Magistério do Ensino Primário pela Universidade de Barcelona e Técnico Superior em Produção de Audiovisuais e Espetáculos pela Escola de Meios Audiovisuais de Barcelona. Como professor, sempre atuou como especialista em matemática, lecionando em todos os anos iniciais do ensino fundamental. Também foi formador de professores em didática da matemática. Na Innovamat, coordenou o departamento de Didática Digital, sendo atualmente responsável pela área de Avaliação.

  • Laura Morera

    Meu nome é Laura Morera e nasci em Barcelona. Estudei Matemática na Universidade Politécnica da Catalunha e posteriormente concluí o doutorado em Didática da Matemática e Ciências Experimentais na Universidade Autónoma de Barcelona. Trabalhei como professora de matemática em todos os anos do ensino fundamental. Atualmente, além de estruturar parte da proposta da Innovamat, sou professora do Mestrado Interuniversitário para Professores Secundários de Matemática e também de Magistério na Faculdade de Ciências da Educação da UAB. Além disso, dirijo a associação científica e de lazer sem fins lucrativos eXplorium e ministro formação contínua para docentes.

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